Paris – O tenista português, Nuno Borges garantiu, esta terça-feira, 3 de Novembro, a passagem à segunda ronda do Masters 1000 de Paris, ao derrotar o francês Moïse Kouamé, de apenas 17 anos, pelos parciais de 6-3 e 6-1. Nuno Borges, que entrou no quadro principal como lucky loser, reconheceu ter sentido a responsabilidade de confirmar o favoritismo.
Publicado a: 03/11/2026 - 15:52Modificado a: 03/11/2026 - 16:00
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"Senti um bocadinho mais a obrigação de ganhar, apesar de ele estar a jogar em casa", admitiu Nuno Borges à saída do encontro, consciente da diferença de experiência entre ambos. "Acho que, neste momento, sou um bocadinho melhor do que ele e sabia que, se conseguisse fazer as coisas bem, se não ficasse nervoso e não me deixasse levar pelo público, tinha grandes hipóteses". O português procurou, por isso, impor o seu ténis desde o início, privilegiando a agressividade e a clareza nas decisões. "Estava à procura disso, de não sair desse foco, acima de tudo aplicar o meu jogo, ser agressivo e ir para a jogada bem decidido. Acho que executei bastante bem."
Contudo, a preparação para o encontro ficou marcada pela incerteza. Nuno Borges só soube que iria jogar durante o aquecimento, depois de duas desistências terem alterado a composição do quadro. Inicialmente com a possibilidade de defrontar Learner Tien, acabou por encontrar Moïse Kouamé no court central. "É assim um bocadinho estranho, mas, de certa maneira, já estava pronto para eventualmente ter de jogar", explicou. "Fiz a hora de aquecimento que provavelmente faria para jogar àquela hora. Nesse aspecto, dentro do lucky loser, tive bastante sorte."
Apesar da diferença expressiva no marcador, Nuno Borges reconheceu o potencial do jovem francês, sobretudo pela capacidade de elevar pontualmente a qualidade do seu ténis. "Houve momentos em que conseguiu jogar muito bem e não tive hipótese em meia dúzia de pontos, mas se calhar tem mais dificuldade em manter esse nível", observou. Para o português, o maior desafio de Moïse Kouamé pode estar na gestão das expectativas que acompanham uma promessa a competir perante o seu público. "Eu, com 17 anos, ainda estava a brincar. Só posso imaginar que seja encorajador e motivante, mas, ao mesmo tempo, também muita pressão", sublinhou.
Numa fase adiantada da temporada, Nuno Borges recusa, ainda assim, encarar esta vitória como uma necessidade de recuperar confiança. "Nesta altura não estou à procura de muita confiança. A confiança vai e vem. Às vezes vem com as vitórias e não consigo controlar isso", afirmou, preferindo concentrar-se nas oportunidades que restam no calendário. "É sempre bom tentar fechar aqui e dar tudo nesta última fase da série de torneios indoor." O português acredita que o desgaste acumulado pode também abrir espaço a quem conseguir preservar a ambição competitiva, "nesta parte, se calhar, os jogadores começam a ceder um bocadinho e é aqui que tenho de fazer um esforço e mostrar que estou motivado, a ver se eles duvidam um bocadinho mais."
Segue-se agora, na segunda ronda, o russo Karen Khachanov, adversário que Nuno Borges conhece de um duelo disputado em Wimbledon. "Tivemos uma batalha surreal em Wimbledon. Podia ter caído para o meu lado, não caiu", recordou. O português antecipa um encontro exigente diante de um jogador "muito consistente, que serve bem e que já foi muito feliz neste torneio", mas mantém a intenção de explorar qualquer sinal de vulnerabilidade. "Vou à procura de ver se há dúvidas daquele lado e continuar a dar boa continuidade a esta oportunidade", concluiu.
Nuno Borges alcançou em Paris a marca histórica de 100 vitórias na carreira ao mais alto nível do circuito ATP, contabilizando torneios ATP, Grand Slam e Taça Davis.









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